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O que a alta rotatividade no setor de serviços revela sobre o mercado

Contratar ficou mais fácil e reter virou um desafio enorme. Entenda o que os dados recentes dizem sobre a troca constante de empregos.

por Rodrigo Matheus

Eu estava olhando os números recentes do mercado de serviços e uma coisa me chamou muito a atenção. Por um lado, o volume de contratações disparou nos últimos anos. Entre fevereiro de 2021 e fevereiro de 2026, o crescimento chegou a cerca de 80%.

Só que esse número esconde uma dor de cabeça gigantesca para as empresas. O tempo médio que uma pessoa fica no emprego despencou 27%, caindo para apenas 6,8 meses, segundo um estudo do Conselho de Serviços da FecomercioSP. Na prática, as companhias contratam, treinam a equipe e, logo em seguida, o profissional vai embora.

Isso gera um custo altíssimo. Segundo a Gallup, substituir um funcionário pode custar entre 50% e 200% do salário anual dele. Pense em todo o gasto com seleção, integração e na queda de produtividade até que o novo contratado pegue o ritmo.

O setor de serviços é o motor do país, respondendo por 57% dos empregos formais e cerca de 70% do PIB. Dentro dele, alojamento e alimentação lideram com uma alta de 159,4% nas contratações em São Paulo, seguidos por outros serviços e pelo setor de transporte e armazenagem.

Com o desemprego batendo 5,8% no trimestre encerrado em fevereiro de 2026 — o menor patamar da série histórica do IBGE para o período —, o trabalhador ganhou poder de escolha. A escassez de talentos medida pelo ManpowerGroup saltou de 34% em 2018 para cerca de 80% desde 2021, mantendo-se firme.

O cenário é alimentado por fatores estruturais como a normalização pós-pandemia, o avanço da gig economy e um desalinhamento claro entre a formação técnica e a demanda real. As maiores lacunas continuam em TI e dados, atendimento ao cliente e vendas.

Enquanto isso, a renda média da população também oscilou. No trimestre móvel terminado em julho de 2026, ela subiu para R$ 3.762, ficando 3,3% acima do valor registrado no mesmo período do ano anterior. O mercado segue aquecido, mas essa roda viva de entradas e saídas mostra que estabilidade deixou de ser o padrão.

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