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O que a inteligência artificial está mudando no mercado de trabalho brasileiro

Novos estudos mostram quem está mais exposto à inteligência artificial generativa no Brasil e como a tecnologia está transformando o dia a dia profissional.

por Rodrigo Matheus

A discussão sobre o impacto da inteligência artificial generativa no mercado de trabalho brasileiro tem ganhado força nos debates econômicos recentes.

Pesquisas recentes mostram que o grau de exposição dos trabalhadores a essas novas ferramentas não se distribui de maneira igual por toda a população.

De acordo com dados levantados por pesquisadores como Fernando de Holanda Barbosa Filho, Janaína Feijó e Paulo Peruchetti, o grau de exposição à IA generativa é maior entre mulheres, trabalhadores mais jovens, pessoas mais escolarizadas, na região Sudeste e no setor de serviços.

Dentro desse grupo, os serviços de informação, comunicação e os serviços financeiros lideram a lista de áreas onde a tecnologia mais incide.

Para entender o que isso significa na prática, vale olhar para o enquadramento baseado em tarefas que a literatura econômica recente tem adotado.

A ideia central é que a tecnologia afeta rotinas específicas e não ocupações inteiras como blocos homogêneos.

Dentro de um mesmo cargo, algumas tarefas podem ser automatizadas enquanto outras acabam sendo ampliadas ou transformadas pelo acesso a novas ferramentas e conhecimentos.

Isso significa que a inteligência artificial generativa atua menos como uma substituta implacável e mais como um motor de reconfiguração do próprio conteúdo do trabalho.

Numbers ajudam a dimensionar essa presença no país.

Dados recentes indicam que cerca de 29,8 milhões de pessoas, o equivalente a 30% da população ocupada no Brasil, possuem algum grau de exposição à IA generativa.

Esse número representa um salto em relação a um patamar anterior de 23,2 milhões, ou 27% da ocupação total.

Apesar desse volume expressivo, análises como a do pesquisador Luis Kubota, do Centro de Pesquisa em Ciência, Tecnologia e Sociedade do Ipea, apontam que o Brasil não está entre os países mais potencialmente afetados pela tecnologia no curto prazo.

Isso afasta, por enquanto, o risco de um desemprego massivo gerado diretamente pela adoção dessas ferramentas.

Ainda assim, o desafio central passa a ser a adaptação da força de trabalho por meio de políticas públicas e capacitação, garantindo que os ganhos de produtividade previstos desde estudos anteriores da McKinsey venham acompanhados de novas oportunidades de emprego e renda.

O cenário atual mostra que a inteligência artificial no Brasil não está simplesmente eliminando vagas, mas reorganizando a forma como as profissões operam no dia a dia.

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