Geralhá 2 horas

O que os números da renda domiciliar revelam sobre o mercado de trabalho

Mesmo com o desemprego em baixa, dados mostram mudanças importantes na participação da renda do trabalho e dos programas sociais nos domicílios brasileiros.

por Rodrigo Matheus

Eu estava olhando uns dados novos que saíram sobre o mercado de trabalho brasileiro e a renda das famílias e acabei achando uns detalhes bem curiosos. A gente costuma olhar só para a taxa de desemprego para saber se as coisas vão bem, mas o buraco é um pouco mais embaixo quando a gente investiga o que realmente entra na renda domiciliar.

Um levantamento recente do Centro de Estudos para o Desenvolvimento do Nordeste do FGV IBRE trouxe um dado que chama atenção. Em 2023, mesmo com o desemprego fechando o ano em 7,8 por cento e o emprego com carteira assinada registrando alta, a participação do trabalho na renda dos domicílios foi de 74,2 por cento. Anos antes, em 2021, esse número estava em 75,3 por cento.

Enquanto isso, a fatia representada por benefícios sociais, como o Bolsa Família e o BPC, subiu de 2,6 por cento para 3,7 por cento no mesmo período. No Nordeste, essa realidade é ainda mais marcante. O peso desses benefícios na renda domiciliar regional pulou de 6,8 por cento para 9,7 por cento, mostrando o tamanho da rede de proteção para quem está fora da formalidade tradicional.

O estudo aponta que entre os extremamente pobres do país, a situação da renda do trabalho é bem complicada. Esse grupo apresenta a menor participação da renda do trabalho na renda domiciliar, somando apenas 18,1 por cento. A taxa de participação deles no mercado de trabalho ficou em 29,5 por cento em 2023, uma queda se comparada com os 38,2 por cento de 2021.

Por outro lado, o cenário geral do mercado de trabalho seguiu mudando com o passar do tempo. Dados divulgados para o segundo semestre de 2026 indicam a desocupação em um dos menores patamares históricos, ficando em 5,3 por cento no trimestre encerrado em agosto. Só que nem tudo é expansão acelerada.

O ritmo de criação de novas vagas de trabalho vem perdendo tração se comparado com o ano anterior, e o acúmulo de postos formais em doze meses pelo Novo Caged também desacelerou. A renda média do brasileiro chegou a R$ 3.762 no trimestre terminado em julho de 2026, com altas variando bastante dependendo da região e do perfil do trabalhador, mas com uma perda de fôlego se comparada ao pico do começo daquele ano.

Vagas relacionadas

Posts relacionados

Fontes