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Por que reter funcionários ficou tão difícil no Brasil de 2026

Contratar ficou mais fácil e o desemprego caiu, mas os profissionais estão ficando menos tempo nos empregos. Veja o que está acontecendo no mercado.

por Rodrigo Matheus

Eu estava olhando os números recentes do mercado de trabalho brasileiro e me deparei com um cenário bastante curioso. Por um lado, o país bateu marcas importantes com mais de 102 milhões de pessoas ocupadas e uma taxa de desocupação que chegou a 5,4% no trimestre encerrado em junho de 2026. A atividade econômica está forte e a renda média real alcançou cerca de R$ 3.738, um dos maiores patamares já registrados pelo IBGE.

Só que esse otimismo esconde um paradoxo enorme para quem gerencia equipes. Empregar ficou muito mais fácil, mas reter os profissionais virou um desafio gigantesco. Entre fevereiro de 2021 e fevereiro de 2026, o número de contratações no setor de serviços cresceu cerca de 80%. O detalhe é que grande parte dessa alta aconteceu porque as pessoas estão saindo dos empregos muito mais rápido.

Um estudo do Conselho de Serviços da FecomercioSP mostrou que o tempo médio que uma pessoa fica no mesmo emprego caiu para apenas 6,8 meses, uma redução de 27%. Na prática, as empresas contratam, treinam a pessoa e, logo depois, ela vai embora. Isso cria uma verdadeira porta giratória nas organizações.

O custo dessa dança das cadeiras pesa no caixa. Segundo dados da Gallup, substituir um funcionário pode custar entre 50% e 200% do salário anual do profissional. Quando multiplicamos isso pelo volume de trocas, o rombo na produtividade e nos gastos com nova seleção fica evidente.

O que explica essa pressa toda para mudar de emprego? Com o desemprego em baixas históricas, o trabalhador ganhou poder de escolha. Trabalhadores mais experientes, especialmente na faixa entre 50 e 64 anos, têm buscado condições melhores de forma muito mais ativa. Não é uma questão de falta de lealdade, mas sim de um mercado aquecido onde a escassez de talentos bate recordes.

Para se ter uma ideia, o índice de escassez de talentos medido pelo ManpowerGroup saltou de 34% em 2018 para cerca de 80% desde 2021, mantendo-se nesse patamar elevado em 2026. Setores presenciais e de atendimento, como alojamento e alimentação, viram as contratações dispararem mais de 159% em São Paulo, pressionando ainda mais a operação.

O resultado é que o jogo mudou para os empregadores. Oferecer remuneração competitiva, flexibilidade e planos de carreira claros deixou de ser um diferencial e virou obrigação básica para quem quer parar de ver a equipe ir embora a cada poucos meses.

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