Carreirasemana passada

O que os números recentes dizem sobre a vaga de jovem aprendiz no Brasil

Com recordes seguidos de contratação e regras bem específicas de jornada, o programa de aprendizagem segue como uma das principais portas de entrada para o mercado formal.

por Rodrigo Matheus

Conseguir o primeiro emprego no Brasil nunca foi exatamente uma tarefa simples. A entrada dos jovens no mercado formal sempre esbarra na falta de experiência anterior, um obstáculo clássico que cria um ciclo difícil de quebrar. Quem contrata pede experiência, mas onde conseguir experiência se ninguém dá a primeira chance?

É justamente nesse espaço que a aprendizagem profissional tenta funcionar como ponte. Instituída por lei no ano 2000, essa modalidade de contratação tem uma dinâmica muito própria. Ela mistura formação teórica, que fica a cargo de entidades formadoras como o Senai, Senac ou organizações sem fins lucrativos, com a experiência prática dentro de uma empresa.

O que muita gente esquece é que o programa não é apenas um bico ou um estágio informal. O contrato de aprendizagem garante registro em carteira e direitos trabalhistas e previdenciários completos. Isso inclui 13º salário, férias, vale-transporte e depósito de FGTS com alíquota de 2%, além de remuneração proporcional que nunca pode ser inferior ao salário mínimo-hora.

Olhando para os números mais recentes, dá para notar que o volume de contratos tem crescido de forma expressiva. Em março de 2024, o Ministério do Trabalho e Emprego registrou pouco mais de 602 mil jovens aprendizes contratados no país. Pouco tempo depois, em novembro de 2025, esse número bateu um novo recorde histórico ao alcançar 715.277 pessoas nessa modalidade.

Esse crescimento não acontece por acaso. Dados do Ipea apontam que os programas de aprendizagem ajudam a reduzir a taxa de desemprego juvenil e promovem uma inclusão social mais consistente. Afinal, jovens que passam por esse tipo de processo costumam ter taxas maiores de efetivação, o que diminui a rotatividade e corta custos de recrutamento para as próprias empresas.

Para quem está do outro lado, o impacto prático costuma ser definitivo na construção da trajetória profissional. Estudantes que entram no programa relatam que a vivência ajuda não só a montar o primeiro currículo do zero, mas também a desenvolver confiança para lidar com o público, falar em apresentações e entender a dinâmica do ambiente corporativo.

As regras de funcionamento, contudo, exigem atenção redobrada de quem se candidata e de quem contrata. A faixa etária permitida vai dos 14 anos completos aos 24 anos incompletos. Para quem ainda não terminou a educação básica, a frequência escolar é obrigatória e a jornada de trabalho fica limitada entre quatro e seis horas diárias. Já quem concluiu o ensino médio pode cumprir até oito horas por dia, sempre somando as atividades teóricas e práticas.

A legislação também impõe travas importantes de proteção para menores de 18 anos. Nenhuma atividade considerada perigosa, insalubre ou realizada em horário noturno, entre 22h e 5h, pode ser exercida por aprendizes nessa faixa etária. O objetivo é preservar o desenvolvimento físico, moral e psicológico enquanto o jovem dá os primeiros passos na carreira.

Vagas relacionadas

Posts relacionados

Fontes