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O que os dados mostram sobre o mercado de trabalho em dados e salários

Novas pesquisas revelam como anda a renda, a movimentação de profissionais de dados e a expansão da inteligência artificial no Brasil.

por Rodrigo Matheus

Eu estive olhando os números mais recentes sobre o mercado de trabalho brasileiro e alguns dados realmente chamam a atenção pela velocidade com que o cenário vem mudando. Os dados dos rendimentos do trabalho do segundo trimestre de 2026 mostraram uma alta da renda de 2,8% em relação ao mesmo período do ano anterior. No trimestre móvel terminado em julho de 2026, a renda média chegou a R$ 3.762.

Apesar dessa alta geral, o ritmo tem perdido um pouco de fôlego na margem. Em relação ao pico da renda obtido no primeiro trimestre, houve uma queda de 1,5%. A taxa de desocupação se mantém em patamares baixos, mas a queda no ritmo de criação de novas vagas e a desaceleração na taxa de crescimento dos salários apontam para uma dinâmica mais moderada.

Quando olhamos especificamente para a área de tecnologia e dados, a edição mais recente da pesquisa State of Data traz um panorama bem claro de como se comportam os profissionais do setor. Realizada em parceria com a comunidade Data Hackers e a Bain & Company, a pesquisa ouviu 3.200 respondentes no final de 2025 e mostra que a movimentação segue alta.

Cerca de 51,3% dos profissionais da área participaram de entrevistas de emprego nos últimos seis meses. É um patamar muito próximo do verificado no ciclo anterior, embora ainda distante do pico observado em 2021. Para quem atua com dados, a remuneração continua sendo o fator número um de decisão, citada por 83,4% das pessoas.

Outro ponto interessante que a pesquisa revelou é o avanço do trabalho presencial e híbrido nas empresas. Apenas 39,6% dos profissionais de dados atuam de forma 100% remota agora, enquanto o modelo totalmente presencial subiu para 20,7%. O modelo híbrido com dias fixos também ganhou espaço, atingindo 20,1% dos respondentes.

A resistência a essa volta ao escritório continua forte. Do total de profissionais consultados, 71,6% afirmaram que buscariam outra oportunidade caso suas empresas adotassem o modelo totalmente presencial. Os salários na área continuam crescendo acima da inflação, registrando um aumento médio de 6,7% entre 2024 e 2025, enquanto os layoffs perderam intensidade e foram reportados por 25% dos respondentes.

Por fim, a inteligência artificial generativa virou prioridade absoluta nas companhias, com 90% dos respondentes indicando iniciativas em andamento. No entanto, o uso ainda é descentralizado. Entre as empresas que ficaram para trás na adoção, as barreiras principais apontadas foram dados não preparados e a falta de expertise ou recursos internos.

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