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O que está acontecendo com as vagas de software e a inteligência artificial

O mercado para engenheiros de software mudou drasticamente com a inteligência artificial, afetando desde as contratações até o dia a dia da programação.

por Rodrigo Matheus

Quem está tentando entrar ou subir na carreira de engenharia de software tem sentido o peso de um mercado bem diferente do de anos atrás. Dezenas de milhares de demissões em toda a indústria aumentaram a concorrência pelas vagas disponíveis, e o clima geral na área virou de ponta-cabeça.

No Brasil, os números ajudam a ilustrar essa freada brusca nas contratações. O saldo de vagas de desenvolvimento de software caiu de 51.559 em 2021 para 4.734 em 2023, chegando a apenas 651 nos primeiros cinco meses de um período recente analisado pelos dados do setor.

Enquanto isso, a chegada em peso da inteligência artificial gerou um novo tipo de dor de cabeça. Por um lado, há o temor de trapaça nas entrevistas técnicas. Por outro, os gestores de contratação estão com uma dúvida muito mais profunda: agora que a IA escreve código, como descobrir quem realmente faz um bom engenheiro de software?

Para Stefan Mai, ex-engenheiro da Meta e da Amazon e cofundador do serviço Hello Interview, o impacto foi gigantesco. Ele afirmou recentemente que a IA atingiu as entrevistas de engenharia como uma bomba atômica, desregulando um processo de seleção que já não acompanhava a realidade da profissão.

Os dados de adoção mostram que a ferramenta virou rotina. Um relatório da divisão de pesquisa do Google apontou que 90% dos trabalhadores de tecnologia utilizam IA para tarefas como escrever e modificar código, o que representa um salto de 14% em relação ao ano anterior.

Na prática, a rotina mudou completamente. A IA ajuda a escrever código e documentação, analisar dados, aprender conceitos e resolver problemas com uma velocidade que antes parecia impossível.

Greg Brockman, presidente da OpenAI, contou que um engenheiro usou IA para implementar uma alteração de sistema que levaria uma semana inteira para ser concluída pela equipe de forma tradicional. No Google DeepMind, aplicativos internos já são escritos em sua maioria com a ferramenta de codificação Antigravity, e na Anthropic o cenário é ainda mais radical.

Boris Cherny, chefe do Claude Code na empresa, relatou que 100% de suas contribuições para o produto em um mês foram escritas pela própria ferramenta. Para ele, o papel do engenheiro está migrando da escrita pura de código para a tomada de decisões de alto nível, o que pode até mudar o nome do cargo para algo como construtor.

Apesar de toda essa transformação, a demanda geral por profissionais qualificados continua existindo, impulsionada pelo crescimento robusto da tecnologia no país. O Brasil forma cerca de 53 mil profissionais de TI por ano, mas a demanda média anual passa de 159 mil, mantendo um déficit acumulado que molda a busca por quem domina competências práticas e sabe navegar por esse novo cenário.

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