O impacto real da discussão sobre a escala 6x1 nos shoppings do Brasil
Um estudo da Abrasce mostra que a proposta de fim da escala 6x1 pode derrubar o faturamento dos shoppings e cortar vagas formais.
por Rodrigo Matheus
Eu estava olhando os dados recentes sobre o setor de shopping centers e o que encontrei me chamou muita atenção. O assunto do momento nos bastidores do varejo é a discussão sobre o fim da escala 6x1 no Brasil. A Associação Brasileira de Shopping Centers, a Abrasce, resolveu colocar na ponta do lápis o que essa mudança na jornada de trabalho significaria na prática para quem opera e trabalha nesses espaços.
O resultado do estudo mostra um cenário que vai mexer diretamente com o mercado de trabalho. No modelo mais restritivo avaliado pela pesquisa, que reduz a jornada de 44 para 36 horas semanais, o impacto no emprego formal nos shoppings pode atingir uma queda de até 26,8% já no primeiro ano. Para se ter uma ideia do tamanho disso, os números indicam uma retração até maior do que a observada durante o fechamento compulsório das operações em 2020.
Mesmo se olharmos para uma versão mais branda da proposta, fixando a jornada em 40 horas semanais, a projeção aponta para uma redução de 12,2% nos postos formais. Estamos falando de um setor que depende de horários estendidos e de uma operação contínua para funcionar. Cortar horas sem que haja um ganho equivalente de produtividade coloca uma pressão enorme sobre uma estrutura que já opera com margens apertadas, especialmente nas chamadas lojas satélites.
Do lado financeiro, o estudo estima que o faturamento do setor possa encolher até R$ 32 bilhões no cenário de 36 horas, uma queda de 16%. No cenário de 40 horas, a perda calculada é de R$ 14,8 bilhões, ou 7,3%. Isso significa que as empresas provavelmente vão reagir por meio de ajustes defensivos, como enxugar quadros, buscar novas formas de contratação ou repassar custos.
Para quem está de olho em uma oportunidade no comércio, vale acompanhar como essa discussão vai avançar no Congresso e de que forma as redes de varejo vão reorganizar suas equipes. O impacto não fica restrito aos corredores das lojas, já que as projeções amplas da economia mencionam riscos de aumento na informalidade e na dupla ocupação, quando o profissional precisa acumular mais de um trabalho para conseguir fechar as contas do mês.
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Fontes
- https://br.linkedin.com/company/shopping-brasil
- https://brazileconomy.com.br/economia/2026/04/escala-6x1-ameaca-modelo-de-negocios-dos-shoppings-e-acende-alerta-de-perdas-bilionarias/
- https://www.pandape.com.br/Microsite/Redirect/DetailCompany/250435
- https://www.instagram.com/reel/DVyrFtrkUZR/
- https://www.glassdoor.com.br/Vis%C3%A3o-geral/Trabalhar-na-Shopping-Brasil-EI_IE2485600.13,28.htm
- https://revistapluralis.com.br/index.php/revistapluralis/article/download/16/6
- https://br.linkedin.com/jobs/moda-vagas-s%C3%A3o-paulo
- https://br.fashionjobs.com/
- https://www.instagram.com/p/DTx5CVJDOl8/
- https://www.shoppingnovaiguacu.com.br/trabalhe-conosco
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