Contratar ficou mais fácil no Brasil, mas reter virou um desafio enorme
O mercado de trabalho brasileiro vive um paradoxo interessante: as contratações dispararam no setor de serviços, mas o tempo médio que o profissional fica no emprego desabou.
por Rodrigo Matheus

Quem está navegando pelo mercado de trabalho ultimamente percebeu que a dinâmica mudou bastante. Olhando para os números do setor de serviços no Brasil, que responde por 57 por cento dos empregos formais do país e cerca de 70 por cento do PIB, a gente esbarra em um paradoxo muito claro. Empregar ficou mais fácil, mas reter o talento virou uma tarefa monumental.
Entre fevereiro de 2021 e fevereiro de 2026, o número de contratações cresceu cerca de 80 por cento. O ponto central dessa história é que um dos principais motores dessa alta foi a queda de 27 por cento no tempo médio que uma pessoa passa no mesmo emprego. Esse indicador caiu para 6,8 meses, de acordo com um estudo recente do Conselho de Serviços da FecomercioSP.
Na prática, o que acontece é um ciclo de portas giratórias. As empresas contratam, investem tempo treinando o profissional, e logo depois ele vai embora em busca de novas oportunidades. Segmentos mais dependentes de mão de obra sentem isso de perto. Alojamento e alimentação lideram com uma alta de 159,4 por cento nas contratações em São Paulo, seguidos por outros serviços com 112,8 por cento e transporte e armazenagem com 81,9 por cento.
Essa rotatividade toda tem um preço alto para o caixa das companhias. Segundo dados da Gallup, substituir um funcionário pode custar entre 50 por cento e 200 por cento do salário anual do profissional. Quando você multiplica isso pela escala do problema, percebe que o buraco é mais embaixo. Mais demissões e novas admissões significam gastos pesados com seleção, treinamento e adaptação, além de uma queda inevitável de produtividade até a equipe engrenar de novo.
Por trás desse comportamento existe um cenário de desemprego em baixa, que fechou o trimestre encerrado em fevereiro de 2026 em 5,8 por cento, o menor patamar da série histórica do IBGE para o período. Com mais opções na praça, o profissional ganhou poder de escolha e passou a trocar de emprego com mais frequência para garantir melhores condições.
O índice de escassez de talentos medido pelo ManpowerGroup também ajuda a explicar esse panorama. Ele saltou de 34 por cento em 2018 para cerca de 80 por cento desde 2021, mantendo-se firme nesse patamar. Profissionais mais experientes, entre 50 e 64 anos, também entram forte nessa dança de cadeiras em busca de novos ares.
A conta que fica para o mercado não é simples. As empresas precisam lidar com a normalização pós-pandemia e com a expansão da gig economy, que atrai cada vez mais trabalhadores para o modelo autônomo por demanda. Enquanto a formação técnica do país continuar correndo atrás do prejuízo em áreas como TI, atendimento e vendas, a gangorra da retenção vai continuar balançando.
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Fontes
- https://blogdoibre.fgv.br/posts/mercado-de-trabalho-no-brasil-situacao-atual-e-desafios-para-o-futuro
- https://www.ipea.gov.br/cartadeconjuntura/index.php/category/mercado-de-trabalho/
- https://www.instagram.com/p/DaECV2xE8DD/
- https://www.startse.com/artigos/retencao-mercado-de-trabalho/
- https://www.superprof.com.br/blog/cenario-brasileiro-emprego/
- https://secfloripa.org.br/reflexo-da-desestruturacao-do-mercado-63-dos-brasileiros-temem-perder-emprego/
- https://www.gupy.io/blog-do-emprego/tendencia-do-mercado-de-trabalho
- https://forbes.com.br/carreira/2026/01/5-tendencias-que-vao-redefinir-o-mundo-do-trabalho-em-2026/
- https://www.linkedin.com/news/story/os-25-empregos-em-alta-de-2026-no-brasil-8122842/
- https://solides.com.br/blog/tendencias-de-recrutamento-e-selecao/
- https://www.roberthalf.com/br/pt/insights/carreira/carreiras-em-alta
- https://www.facebook.com/g1/videos/%EF%B8%8Fanota-a%C3%AD-as-profiss%C3%B5es-ligadas-ao-uso-de-tecnologia-dominam-os-empregos-que-dev/1644668146563138/
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