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Como a IA mudou as entrevistas e o trabalho em engenharia de software

O mercado para engenheiros de software mudou drasticamente com demissões e a chegada da inteligência artificial, transformando o processo de entrevistas e a rotina de programação.

por Rodrigo Matheus

O mercado de trabalho para quem quer atuar com engenharia de software não está nada fácil. Dezenas de milhares de demissões em toda a indústria aumentaram muito a concorrência pelas vagas que continuam abertas. Mas o problema atual vai muito além da quantidade de postos disponíveis.

A ascensão da inteligência artificial gerou uma preocupação imensa entre os gestores de contratação sobre como avaliar as habilidades reais dos candidatos. Stefan Mai, ex-engenheiro da Meta e da Amazon e cofundador da Hello Interview, definiu a situação de forma direta ao afirmar que a IA atingiu as entrevistas de engenharia como uma bomba atômica.

O processo tradicional de seleção simplesmente não acompanhou a velocidade com que a IA transformou as responsabilidades diárias de quem programa. Um relatório da divisão de pesquisa do Google mostrou que noventa por cento dos trabalhadores de tecnologia já utilizam ferramentas de IA para tarefas como escrever e modificar código.

Empresas conseguem se mover em ritmo acelerado com essa tecnologia. Greg Brockman, presidente da OpenAI, contou que um engenheiro usou IA para implementar uma mudança de sistema que levaria uma semana inteira para ser concluída pela equipe. Na Anthropic, o chefe do Claude Code afirmou que cem por cento de suas contribuições recentes foram escritas com o auxílio da ferramenta.

Com isso, o próprio papel do engenheiro de software está se deslocando para focar em decisões de alto nível em vez de apenas escrever código. Boris Cherny sugeriu que o título da função pode até mudar para construtor, refletindo melhor essa nova realidade em que a IA assume grande parte do trabalho de escrita e documentação.

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