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Por que o mercado tech no Brasil está descentralizando e onde estão os maiores salários

Novos dados mostram que os empregos de tecnologia crescem acima da média no Norte, Nordeste e Centro-Oeste, enquanto o país lida com uma escassez recorde de talentos qualificados.

por Rodrigo Matheus

Eu estava olhando os números mais recentes sobre o mercado de tecnologia no Brasil e uma coisa me chamou atenção de cara. Quando a gente pensa em vagas de TI, a nossa cabeça vai direto para São Paulo ou, no máximo, para o eixo Sul-Sudeste. Mas os dados mostram que o mapa está começando a mudar de figura.

Um levantamento recente da Brasscom trouxe um panorama bem interessante sobre isso. Entre 2023 e 2025, os empregos formais em tecnologia da informação e comunicação cresceram 5,4% no Norte, 3,8% no Nordeste e 3,2% no Centro-Oeste. Esses percentuais ficaram acima das altas registradas no Sul, que ficou em 3,1%, e no Sudeste, com 2%.

Claro que o Sudeste ainda lidera com folga e concentra 62,5% dos empregos formais do setor no país, além de reunir quase 45% das vagas apenas em São Paulo. Mas o avanço dessas outras regiões mostra que polos de tecnologia estão ganhando força longe dos grandes centros tradicionais, impulsionados pela transformação digital.

Falando em números de mercado, o Brasil tem hoje cerca de 943 mil trabalhadores com carteira assinada em ocupações de TIC. Dentro desse universo, o cargo de analista de desenvolvimento de sistemas é o que emprega mais, com aproximadamente 252 mil postos e salário médio em torno de R$ 8,3 mil. No topo da pirâmide salarial, o cargo de diretor de serviços de informática lidera com folga, alcançando uma remuneração média de R$ 40,5 mil por mês.

Por outro lado, quem está tentando contratar para essas posições enfrenta um cenário bastante complicado. Uma pesquisa inédita feita pelo Datafolha em parceria com a Ford revelou que nada menos que 98% das empresas brasileiras encontram dificuldades para preencher vagas na área de tecnologia.

O estudo ouviu 250 líderes de recursos humanos e tecnologia de vários setores e mostrou que a principal barreira apontada por 72% deles é a falta de conhecimento técnico específico. A ausência de experiência prática vem logo atrás, citada por 54% dos entrevistados, o que acaba esticando o tempo dos processos seletivos.

As funções mais difíceis de preencher deixam claro onde estão os maiores gargalos atuais. Especialistas em inteligência artificial lideram a lista dos cargos mais escassos, citados por 35% das empresas, seguidos pelos engenheiros de software, com 31%. No lado das habilidades técnicas que mais faltam no mercado, segurança da informação aparece com 30%, colada com inteligência artificial e machine learning, mencionadas por 29%.

Mas o buraco é mais embaixo quando olhamos para o comportamento. O levantamento mostrou que 37% das empresas rejeitam com frequência candidatos que têm o perfil técnico adequado, mas pecam nas competências socioemocionais. Falta de inteligência emocional e de pensamento crítico para resolver problemas aparecem no topo dessas deficiências, provando que passar no teste técnico já não basta para garantir a vaga.

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