Carreirasemana passada

O que os dados revelam sobre a disputa pelo trabalho remoto no Brasil

Enquanto trabalhadores querem mais dias em casa, os dados do FGV IBRE mostram que as empresas desejam o oposto. Veja o que está em jogo.

por Rodrigo Matheus

Eu estava olhando os números recentes sobre o mercado de trabalho brasileiro quando me deparei com um contraste que todo mundo que busca vaga de home office sente na pele. A Sondagem do Mercado de Trabalho do FGV IBRE aponta que, enquanto o trabalhador assalariado enxerga inúmeros pontos positivos no trabalho de casa e gostaria de passar ainda mais dias por lá, os empregadores parecem desejar um recuo e querem os colaboradores de volta ao escritório por mais tempo.

Essa queda de braço ganhou novos contornos com as estatísticas experimentais divulgadas pelo IBGE dentro da PNAD Contínua. O instituto passou a separar com precisão o que é trabalho no domicílio, trabalho remoto e teletrabalho, usando tecnologias de informação e comunicação para definir as tarefas executadas a distância. Mapear essa realidade deixou de ser luxo e virou necessidade para entender para onde o mercado está caminhando.

A vontade de ficar em casa não é por acaso. Dados mostram que noventa e quatro por cento dos profissionais dizem que o formato remoto melhorou a qualidade de vida. Além disso, noventa e um por cento relatam produtividade igual ou superior trabalhando de casa.

O dado mais impressionante que vi nessa pesquisa é que sessenta e cinco por cento dos profissionais trocariam de emprego se isso garantisse a possibilidade de trabalhar de forma remota. Isso muda completamente a dinâmica de atração e retenção de talentos.

Apesar do desejo das empresas por um controle maior e pelo retorno presencial, as vagas remotas continuam firmes em setores muito específicos. Quem busca essas oportunidades encontra mais espaço concentrado em áreas como tecnologia da informação, finanças e marketing digital.

Com o avanço das discussões para os próximos anos, o formato ganha novos contornos em plataformas e portais de emprego especializados. Resta ver como as empresas vão equilibrar essa demanda irredutível dos profissionais por flexibilidade com o desejo corporativo de retomar o modelo antigo.

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