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O mercado para profissionais seniores e a realidade da experiência no Brasil

O envelhecimento da força de trabalho e a busca por espaço esbarram em barreiras de etarismo e processos seletivos longos.

por Rodrigo Matheus

Eu estava olhando alguns dados recentes sobre o mercado de trabalho e me chamou atenção como a nossa pirâmide etária mudou nos últimos anos. Entre 2012 e 2024, a população brasileira com 60 anos ou mais cresceu 55%, ultrapassando 35 milhões de pessoas. Esse movimento demográfico não ficou apenas nas estatísticas gerais da população.

Um levantamento da pesquisadora Janaína Feijó, do FGV IBRE, mostra que o número de idosos ocupados subiu quase 69% nesse período, chegando a 8,6 milhões de trabalhadores. Essa chamada geração prateada está buscando autonomia e relevância econômica, muitas vezes impulsionada pela necessidade de arcar com custos de vida que incluem itens com alta pressão de preços, como planos de saúde e medicamentos.

Apesar desse crescimento expressivo na ocupação, o cenário esbarra em barreiras culturais difíceis de ignorar nas empresas. Uma pesquisa da Ernst & Young em parceria com a agência Maturi revelou que 78% das companhias pesquisadas consideram-se etaristas e mantêm barreiras claras para a contratação de trabalhadores com mais de 50 anos. Na maioria das empresas avaliadas, esse grupo representa apenas de 6% a 10% do quadro funcional.

Mórris Litvak, fundador da Maturi, aponta um ponto curioso sobre essa dinâmica. Existe o que ele chama de autoetarismo, que é quando o próprio profissional se considera velho demais para procurar emprego ou para aprender coisas novas. Para ele, o mercado brasileiro ainda não está preparado para essa demanda crescente, e o preconceito dentro das empresas torna o desafio ainda maior.

Para quem busca posições de alta senioridade ou tenta se manter ativo no mercado corporativo, a dor de cabeça não se resume apenas à idade. Ouvindo relatos de profissionais seniores sobre os processos seletivos atuais, a queixa comum é que o salário anda meio estagnado e o processo seletivo ficou muito mais difícil. Não é raro encontrar processos em empresas grandes que chegam a ter cinco ou seis etapas até uma definição.

O envelhecimento da força de trabalho é um caminho sem volta, com estimativas indicando que até 2040 seis em cada dez trabalhadores brasileiros terão mais de 45 anos. Resta saber se as empresas vão adaptar suas culturas a essa nova realidade ou se continuarão perdendo talentos experientes por puro preconceito estrutural.

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